16 de ago. de 2012

Abstração



Abstração

Há no espaço milhões de estrelas carinhosas,
Ao alcance de teu olhar....mas conjeturas
Aquelas que não vês, ígneas e ignotas rosas,
Viçando na mais longe altura das alturas.

Há na terra milhões de mulheres formosas,
Ao alcance de teu desejo.... Mas procuras
As que não vivem, sonho e afeto que não gozas
Nem gozarás, visões passadas ou futuras.

Assim, numa abstração de números e imagens,
Vives. Olhas com tédio o planeta esmo e triste,
E achas deserta e escura a abóbada celeste.

E morrerás, sozinho, entre duas miragens:
As estrelas sem nome - a luz que nunca viste,
E as mulheres sem corpo - o amor que não tiveste.

Olavo Bilac

5 de ago. de 2012

Pintura

A roda, por Iara 


Via Láctea 
XXVIII

Pinta-me a curva destes céus ... Agora,
Erecta, ao fundo, a cordilheira apruma:
Pinta as nuvens de fogo de uma em uma,
E alto, entre as nuvens, o raiar da aurora.

Solta, ondulando, os véus de espessa bruma,
E o vale pinta, e, pelo vale em fora,
A correnteza túrbida e sonora
Do Paraíba, em torvelins de espuma.

Pinta; mas vê de que maneira pintas ...
Antes busques as cores da tristeza,
Poupando o escrínio das alegres tintas:

— Tristeza singular, estranha mágoa
De que vejo coberta a natureza,
Porque a vejo com os olhos rasos d'água ...

Olavo Bilac

Detalhe


3 de ago. de 2012

Benedicite!



Benedicite!

Bendito o que, na terra, o fogo fez, e o teto;
E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo;
E o que encontrou a enxada; e o que, do chão abjeto,
Fez aos beijos do sol, o ouro brotar do trigo;

E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto
Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo;
E o que os fios urdiu; e o que achou o alfabeto;
E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo;

E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano;
E o que inventou o canto; e o que criou a lira,
E o que domou o raio; e o que alçou o aeroplano...

Mais bendito, entre os mais, o que, no dó profundo,
Descobriu a Esperança, a divina mentira,
Dando ao homem o dom de suportar o mundo!

Olavo Bilac

2 de ago. de 2012

Three little birds...

Cada um tem uma música que alivia um pouco a dor daqueles momentos em que o chão parece desabar sob os pés.




Imagem retirada de  http://olhares.uol.com.br/composicao-com-tres-passaros-foto3248023.html 







30 de jul. de 2012

Mandala



Mandala

Ela se mandou
Não quis se explicar
Não escreveu nada
Não quis me culpar.

Ela me deixou
E não me deixou nada
Apenas se esqueceu
Da “bendita” mandala.

Ela então voltou
Estacionou o Opala, beijou a mandala
E pediu para ficar.

Vou mandá-la embora:
Ela e a mandala; ficarei com o Opala
E serei como outrora.

Iara




Obs.: Desconheço a autoria dessa mandala. Se alguém souber, nos informe por favor.

Diagrama da mandala AQUI

23 de jul. de 2012

Hiroshima, meu amor


Hiroshima, meu amor (Hiroshima mom amour, França/Japão, 1959) dirigido por Alain Resnais  é um dos filmes representantes da Nouvelle Vague. Certamente não é um filme para ser visto com o mesmo olhar que assistimos a filmes com narrativas lineares no sentido de cronologia e de coesão. Um olhar mais "sensível" é necessário justamente devido à proposta do filme não ser narrativa e sim poética.


Um filme sobre o amor, sobre as memórias, sobre a guerra e que é ao mesmo tempo cinema, poesia e política...mas não vou descrevê-lo. O que me importa é aguçar as vontades, então deixo meu elogio pela originalidade magistral do diretor, pela atuação de Emmanuelle Riva e pela belíssima fotografia. Além disso, como não poderia me escapar aos olhos, deixo minha observação para duas cenas em que o origami  aparece integrando o cenário:

Cena em que tsurus são carregados por crianças em uma passeata
(a passeata compõe as gravações de um "filme dentro do próprio filme")
Cena de um quarto de hospital totalmente ornamentado com origamis,
entre eles, vários kusudamas.


 Sem dúvidas, um grande filme, para ser visto várias vezes e para muitas reflexões.

20 de jul. de 2012

Firework - Inconstância




Origami Firework de Yami Yamauchi. 


É como um sol que se abre em várias faces (ou fases) revelando diferentes arranjos, diferentes mandalas...
me lembrei deste soneto, um pouco triste, mas muito lindo:

Inconstância

 Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também… nem eu sei quando…

Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade



É aconselhável utilizar papéis coloridos e com bastante contraste para um efeito mais bonito. 
Tutorial: AQUI
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